segunda-feira, 24 de outubro de 2011

música entre dentes

a boca , por dentro , precisa ter a forma de quem guarda uma laranja, os lábios devem estar sempre em bico, ovalados ou quase fechados para que o ar saia devagarinho e a respiração, guardada desde o baixo ventre até o chacra do peito, possa sair comedida.

só o ar faz com que o canto, a voz, saia da caixa de ressonância que é nossa boca, o tórax. ele faz as cordas vocais vibrarem e por isto soam.
a música então ganha sabor, doce , invariavelmente.
a música tem sabor de .....
de tudo.

é vadia também, como as noites bem amadas. ah! offenbach.

barcarolle, jaques offenbach - tales of hoffmann

Belle nuit, ô nuit d'amour,
Souris à nos ivresses,
Nuit plus douce que le jour,
Ô belle nuit d'amour!

Le temps fuit et sans retour
Emporte nos tendresses
Loin de cet heureux séjour
Le temps fuit sans retour.

Zéphyrs embrasés, (Zéphyrs embrasés)
Versez-nous
Zéphyrs embrasés,
Donnez-nous vos baisers!
Versez-nous vos caresses, (Versez-nous vos caresses)
vos baisers! vos baisers! Ah!

Belle nuit, ô nuit d'amour,
Souris à nos ivresses,
Nuit plus douce que le jour,
Ô belle nuit d'amour!

Ô belle nuit d'amour!
Ah! Souris à nos ivresses!
Versez-nous vos caresses
Nuit d'amour, ô nuit d'amour!
Ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah!

domingo, 6 de dezembro de 2009

nêsperas.,bananas e café




aquele um falou no livro que leio sobre o sabor da nêspera e da banana madura no pé, coisa que ele viu em diamantina andando a pé porque de carro, nas vielas calçadas com pé de moleque , fica difícil.
da nêspera, o desejo de comê-la veio logo. mas chove sem parar , chuva miudinha, parideira, para brotar feijão e milho, e é mais de três da matina. nem penso em ir lá fora pegar a fruta no pé, isto , se as maritacas ainda deixaram alguma intacta.
o gosto dela está na minha boca.
a fruta é também conhecida como ameixa.
amarela como ouro, à primeira mordida você ouve o barulho do ar saíndo da fruta e escorre pela comisura dos lábios o sumo dela. às vezes doce, se não tão madura, ácida.
dá em cachos. a pele tem penugem, semelhante ao pêssego. é carnuda e tem dois ou mais caroços grandes.o sabor é dela mesmo, sem comparações.
nêspera é fruta vadia que dá de vagabundagem, como amora, amora do mato,framboesa, morango, uvaia, goiaba. frutinha tão dadivosa quanto maria sem vergonha.
cá em casa tem. a sobra do que as maritacas deixam.

ele falou também da banana que um senhorzinho trás do sítio dele num carrinho de mão. banana madura no pé. não como as comercializadas em supermercados que passam pelo carbureto.
não há sabor igual ao da banana que amadurece no pé. ele é doce, macia, e tem gosto de banana.

aqui, no sul de minas tem muito café, olha a beleza que provei ontem no empório boa vista , eu e o robson. o meu tem formas indefinidas mas que compoem um aspecto agradável. o dele parece que foi feito com forminha. mas não . é o blend de carmo de minas. encorpado, o fruto é torrado na medida certa, fruto inteiro, sem casca e sem quebrados, depois falo mais sobre este café. sabor forte. cá em casa uso o frutado na cafeteira italiana.
estes são os sabores de hoje.
só porque um tiozinho falou sobre banana e nesperas no livro lá dele, em diamantina.
depois do café vim para casa. o caminho por onde passo, está lá em cima.


(fotos com meu celular)

sábado, 18 de abril de 2009

bauhaus, onde o vento não faz curvas


na parede cá de casa está pendurada esta peça que me lembra anjo barrôco. teria sido, conforme fui informada no ato da compra, parte da cabeceira de uma cama. parte de cama ou não, para mim voa.  assim como o tempo.

em março deste ano fez 89 anos do nascimento da bauhaus , importante escola de design e arquitetura do século 20, fundada em weimar em 1919.  em 1925 mudou para a sede racionalista projetada por gropius em dessau.

moradia para todos era uma dos direitos fundamentais da constituição de weimar, primeira república da alemanha. isto  em 1919. 
saída da primeira guerra mundial com a economia em frangalhos e quebradeira total do mercado imobiliário o governo instituiu subvenções e política residencial estatal que predominou em todo o século 20. em 1932 a escola já em berlim, dirigida por mies van der hoe foi fechada pelos nazistas porque modernismo era sinônimo de comunismo e judaismo internacional.

hoje quando sabemos que os estados unidos  também quebraram por facilitar investimentos no mercado imobiliário e que o brasil desenvolve, desde a chamada crise, o mesmo raciocínio, crédito facilitado para todos, com prazos latos, para empregar os desempregado da bancarrota financeira mundial, lembramos que havia planejamento na alemanha a partir da realidade industrial e o funcionalismo era a filosofia. 

no brasil somos barrocos, amamos volutas e bibelôse as leis não funcionam, ou melhor existem somente para a periferia. é um país onde até as frutas desenham-se com capricho, e, por isto, não podemos raciocionar em alemão, mesmo com a extinção de determinados materiais que fazem a festa dos olhos coloniais barrocos.

seja por conta da curva que o vento faz para ventar, do desenho contorcido dos galhos das árvores ou pelo rendilhado das águas que criam quebranto de espuma, ou quem sabe , por conta da preguiça, do sol do meio dia, do melado da fruta nos dedos, sei lá.... o certo é que a funcionalidade passa londe do equador onde precisamos disputar as frutas nas árvores com as jandaias, periquitos e pardais.








segunda-feira, 6 de abril de 2009

a máquina do mundo

carlos drumond de andrade







A máquina do mundo 




 




E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa, 
e no fecho da tarde um sino rouco 

se misturasse ao som de meus sapatos 
que era pausado e seco; e aves pairassem 
no céu de chumbo, e suas formas pretas 

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado, 

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia. 

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável 

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar 

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos. 

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera 

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos, 

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas, 

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha, 

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de 

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo, 

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética, 

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo 

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo." 

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge 

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos 

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber 

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo, 

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade: 

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa, 

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana. 

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio, 

a esperança mais mínima - esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra; 

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face 

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos, 

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes 

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo, 

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho. 

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida, 

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas. 




Carlos Drummond de Andrade 


Este poema foi escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno "MAIS" (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal "Folha de São Paulo". Publicado originalmente no livro "Claro Enigma", o texto acima foi extraído do livro "Nova Reunião", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1985, pág. 300. 



in casa do bruxo

quarta-feira, 1 de abril de 2009

HORA DO PLANETA – OS SINAIS





bem, era de se esperar, aconteceu. dorothy, a ex do pasquim, não, não foi casada com o pasquim, pô, trabalhou lá, só isso, não complica, meu, como dizia, a ex.... melhor só falar em dorothy... tá de gozação! nào é a garota de somewhere over the rainbow não, aquela dorothy é a judy garland, deixa concluir? esta é a coutinho. dona da viação coutinho? tá de porre, veio me gozar? olha. ela escreveu este texto que está abaixo. já expliquei que aqui quem escreve são os outros. ah... deixa de kókókó e lê, meu!



em tempo: ela acredita que o mundo tá acabando.só isso.



portanto,dorothy coutinho em a dança dos vampiros

ops....em a hora do planeta







A Grande Nave Mãe está com a chapa quente. O ciclo das chuvas está fora do controle da tecnologia, os rios, mares e geleiras estão vazando, as áreas de florestas se desertificando, as áreas urbanas estão se degradando, trazendo consigo a violência humana que aumenta a cada dia, na mesma medida da agressão ao Planeta. Tudo conspira para os efeitos malignos. O movimento Hora do Planeta antecede o fim.

Estamos nos acostumando com as catástrofes e desastres “naturais”. A banalização da violência vem nos mostrando que ela já faz parte do nosso cotidiano. Onde é que nos vamos parar?

Eu sei que não é um assunto agradável, mas você já pensou seriamente no fim desse nosso mundo?

- O apocalipse com o céu em chamas, as covas se abrindo como no clipe do Michael Jackson, as crianças apontando para os quatro cavaleiros que não são do Zodíaco e gritando que também querem um cavalo que voa?

Outra visão provável será a dos bons e os maus reunidos num só caminho, em pânico na busca pela salvação da pele e da lavoura, engarrafando ainda mais o trânsito. E o sol parado lá no céu: praia? nem pensar!

Ninguém gosta de pensar no fim da vida planetária. Mas é preciso ser previdente, porque esse dia chegará. Seus sinais estão aí.

Homens e mulheres poderão usar os práticos jeans, bermudas, shorts, ou traje a rigor, etc. A Terra será varrida violentamente numa onda de calor e labaredas de fogo insuportável e as favelas, as savanas, tabas, tendas, iglus, barracas, mocambos, casinhas, mansões, castelos e as coberturas com suas piscinas – as águas das piscinas irão ferver – ninguém estará a salvo, todos serão calcinados, como num sopro nuclear

Contrate um bom advogado antes de encarar os minutos finais para confessar que só cometeu crimes menores, como furtar um tubo de pasta de dentes no supermercado. Sem direito a suborno, é claro!

De nada adiantará se trancar dentro de casa, como um Big Brother porque não haverá mais o Pedro Mial para o contato com o mundo exterior, já que não haverá mundo exterior. No último domingo da nossa Era, a Besta das Sete Cabeças, emergirá dos mares profundos para o programa do Faustão levando o povão aos últimos suspiros da cultura globalizada.

Fugir para um país frio, por exemplo, a Suíça não vai adiantar e pode ser perigoso. Dizem que Deus tem uma implicância especial com a música tirolesa e a Natureza arrasará a Suíça primeiro.

O uso de disfarces pode ser tentado. Nariz postiço, bigode, hábitos religiosos que mantêm um resquício de seriedade, poderá lhe ajudar a ficar mais uns dias de cara para o paredão!

Parece que antes do Grande Final teremos um aviso. Túneis mudarão de mão, os telefones começarão a falar sozinhos, a Internet vai ficar infestada dos vírus de Calcutá, e o Sarney aparecerá com um bigode mechado. Isso quer dizer que haverá tempo para realizarmos nossos últimos desejos, aqueles desejos reprimidos, aquelas coisas loucas que sempre tivemos vontade de fazer e nunca fizemos como pegar formulários oficiais e onde se lê: ”não escreva neste espaço”, escrever. Sei lá.

O último a sair apaga a luz. Não precisa fechar a casa, o risco de saque depois do Fim é zero. Uma luz no fim do tubo acendeu: Os nossos bandidos, que têm alguma consciência ecológica e ambiental, aderiram em massa ao movimento Hora do Planeta, no último dia 28, ficando por uma hora com seus morteiros, metralhadoras e fuzis apagados.

Eu também aderi à Hora do Planeta.

Desliguei meu cérebro as 23 horas e fui dormir!


Dorothy Coutinho
30de março de 2009

para lembrar que o homem é um animal mamífero



joan brossa, em sua cadeira de balanço




de joan brossa, poeta catalão, que me impressiona, uso o poema abaixo para inaugurar este blog onde pretendo que amigos falem e onde eu possa fazer o mesmo, também, de vez em quando.




POEMA GIRATORI

L'Home és un animal
mamífer amb mans i peus
que es distingeix de tots els altres
animals per la seva facultat
d'enraonar.

Giro el poema. Si
llegiu de nou, diu:

Eva significa l aqui dona vida.
Llúnia vol dir gerra del mar.
Delia vê del grec.


antigamemte se ia aos campos colher a seiva da vida, diz thoreau em walden. hoje, se vai aos blogs, digo eu, beber da seiva das letras e das imagens e dos sons.

por falar nisto, hoje, a tarde inteira e, até agora, uma vaca berra desesperada no pasto do vizinho. será que caiu no rio? daqui não deu para ver. tomara que não.


"Eu fui à Floresta porque queria viver deliberadamente. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria seiva da vida... expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido..."

henry david thoreau


quem entrar está avisado, é proíbido. barthes é quem iria gostar desta placa, ora se......